A cidade de São Félix do Araguaia-MT recebeu no último final de semana (20 e 21 de Junho), na Feira Municipal, a III Mostra Socioambiental e a II Feira de Economia Solidária. Durante o evento foram expostos e comercializados diversos produtos da região, como artesanatos, plantas medicinais, remédios naturais, produtos da culinária regional (farinhas, doces, pimentas), sementes e mudas nativas do Cerrado.
Os presentes participaram ainda de um seminário em que foram apresentadas experiências, oportunidades e desafios da comercialização dos produtos da sociobiodiversidade, trazendo alternativas de geração de renda para a agricultura familiar e inclusão de políticas públicas. Durante o evento, também aconteceram apresentações da cultura regional, como catira e quadrilha.
Compareceram ao evento representantes de diversos municípios do Araguaia/Xingu e indígenas Xavante e Karajá. A realização foi da Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (ANSA) e da Organização Ecossocial do Araguaia (OECA), em parceria com as entidades que formam a Articulação Xingu Araguaia (AXA), associações de agricultores familiares dos assentamentos da região e a Prefeitura de São Félix do Araguaia. Além da ANSA, fazem parte da AXA a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Instituto Socioambiental (ISA), a Associação Terra Viva (ATV) e a Operação Amazônia Nativa (OPAN).

A agricultura familiar desenvolve um papel fundamental para o País, sendo responsável pela maior parte do fornecimento de alimentos à mesa do brasileiro. Além disso, oferece produtos de qualidade, exercendo uma função inestimável na conservação ambiental e na valorização das formas de vida tradicionais que aliam a geração de renda com a conservação da riqueza sociocultural do País.
Dar visibilidade para as iniciativas que centenas de agricultores familiares e povos indígenas estão realizando no dia-a-dia é um exercício de promoção da justiça e da solidariedade humana.
Rosilene Alves da Silva, artesã que vive no projeto de assentamento (PA) Dom Pedro, município São Félix do Araguaia, expôs seus produtos no evento. Ela destacou que os produtos comercializados na feira são artesanais e levam junto a tradição do povo.
Outro participante foi Arlindo Alves dos Santos, morador do PA Dom Pedro. Ele vende seus produtos na feira há 14 anos e participa da Mostra Socioambiental desde 2013. Segundo ele, “cada vez vai só melhorando”. O visitante teve a oportunidade de adquirir um produto de qualidade e ajudou a estimular a economia regional, contribuindo com a agricultura familiar.

A feira também contou com a presença da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX), a qual expôs seus materiais didáticos, como a Cartilha e o Plante as Árvores, além de publicações do ISA, como os almanaques e o livro ‘Plantar, Criar e Conservar: Unindo Produtividade e Meio Ambiente’. Paralelamente, foram exibidos os vídeos de funcionamento da Associação e realizada a doação de muvuquinhas, em que os visitantes podiam escolher de quais espécies formariam seu conjunto de sementes.
Para as crianças, havia ainda o jogo didático em forma de tabuleiro recém-desenvolvido pela equipe. Nele, as crianças passavam por uma trilha que acompanhava as etapas de produção de sementes florestais, desde a coleta até o armazenamento, com todos os seus desafios e oportunidades. “O jogo foi um excelente material didático para despertar nas crianças a necessidade de refletir sobre o desenvolvimento econômico a partir da floresta em pé, ainda mais em uma região onde muitas florestas nativas vêm sendo suprimidas para usos variados da terra. Através do jogo, as crianças puderam conhecer sementes de frutos populares da região, como o jatobá e o murici, inclusive muitas delas me pediram sementes para plantar em casa”, disse Sarah Domingues, colaboradora da Associação.

No dia 21, aconteceu o seminário, no qual foram apresentadas cinco experiências concretas de comercialização da agricultura familiar por diferentes entidades: Grupo de Feirantes de São Félix do Araguaia; Secretaria Municipal de Agricultura de São Félix do Araguaia; Associação Rede de Sementes do Xingu; Araguaia Polpa de Frutas; e Experiência de Economia Solidária. Além disso, a Empaer (Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) atualizou os participantes das oportunidades e políticas públicas de incentivo à produção e a comercialização.
A ARSX foi apresentada pelo integrante da diretoria da Associação, Acrísio Luiz dos Reis, e pelo técnico da Rede Adryan Nascimento. Seu Acrísio contou a história da Rede, que começou para oferecer sementes florestais usadas na recuperação de áreas degradadas na região e que depois cresceu, tornando-se uma Associação. Adryan explicou como se dá o processo de comercialização de sementes florestais e a importância econômica da Rede. “Hoje a ARSX possui mais de 420 coletores e é uma importante fonte de renda, digamos um complemento. Muitos, depois que se tornaram coletores, passaram a promover outras atividades ligadas, como a produção de frutas para polpa”, explicou.
Fortalecer os trabalhos artesanais, a produção familiar e os frutos do extrativismo sustentável que já estão sendo colhidos por muitos agricultores, significam dar mais um passo na construção de alternativas socialmente justas, ambientalmente sustentáveis e economicamente viáveis. Na região Araguaia/Xingu, as entidades sociais vêm desenvolvendo um amplo leque de ações para apoiar o modelo produtivo baseado na agroecologia, no extrativismo, no comércio local e nas feiras municipais.
(Por Rafael Govari -ISA com informações de AXA e ANSA; Fotos: ISA)
