A Rede de Sementes do Xingu é A maior
referência em rede de coleta comunitária
de sementes para restauração
ecológica do Brasil
Somos uma associação não-governamental sem fins lucrativos, estruturada
por povos indígenas, agricultores familiares e comunidades urbanas localizadas
nas bacias dos rios Xingu, Araguaia e Teles Pires, em Mato Grosso.
Ao todo, somos formados por um corpo técnico de 15 pessoas
e por mais de 700 coletoras e coletores de sementes.
Essa "muvuca de gente" está reunida
por dois objetivos em comum:
A restauração ecológica com semeaduradireta de muvuca de sementes
Bem Viver dos povos e dos territórios que fazem parte da Rede de Sementes do Xingu
Como funciona?
Trabalhamos com a cadeia da restauração ecológica por meio da semeadura
direta de muvuca de sementes, desde a coleta até o plantio.
Basicamente, temos três atividades principais:
Coleta e comercialização de sementes nativas
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Acompanhamento e apoio aos Grupos Coletores
>
Restauração ecológica dos territórios de coleta
O fluxograma abaixo ilustra parte do caminho das
sementes nativas dentro da Rede de Sementes do Xingu:
Nosso ciclo de trabalho é anual e começa com os Grupos Coletores elaborando
o Potencial de Coleta ainda no início do ano, ao mesmo tempo em que o Setor Comercial busca por proprietários e empresas interessados em restaurar áreas degradas.
Ao unir Potencial de Coleta com demanda de mercado, geramos o pedido de sementes anual para os Grupos Coletores. Ao todo, são cerca de dois a três pedidos feitos no ano, sempre entre os meses de junho e novembro.
Uma vez analisadas e organizadas, as sementes são armazenadas
na Casas de Sementes, onde separamos lotes de sementes para análise
de qualidade e comportamento em laboratório. Até que, analisadas e organizadas,
as sementes seguem para o destino final: a terra que será semeada.
Missão
A Rede de Sementes do Xingu tem por missão cuidar do Bem Viver de todos os seres hoje, assim como das futuras gerações, garantindo o Cerrado e a Amazônia em pé, protegendo e recuperando as nascentes e cabeceiras dos rios, por meio da restauração ecológica com sementes nativas, bem como apoiar iniciativas dos Grupos Coletores em benefício das terras que ocupam, contribuindo para o protagonismo desses povos com autonomia, dignidade e justiça socioambiental e econômica dos coletores.
Visão
Matas nativas recuperadas, assim como as nascentes de água, as bacias hidrográficas e a vida em abundância em diferentes territórios, e a diversidade estabelecida com dignidade e justiça socioambiental, sendo inspiração para a restauração ecológica popular em outros biomas e regiões do Brasil e do planeta Terra.
Nossos números
- 18 anos de atuação
- Mais de 700 coletoras e coletores, organizados em 24 Grupos Coletores
- Trabalhamos com três territórios indígenas – incluindo seis etnias e mais de 30 aldeias –, além de 15 assentamentos da agricultura familiar e extrativistas urbanos em 18 municípios de Mato Grosso
- Aproximadamente 415 toneladas de sementes de 220 espécies coletadas desde 2007
- Mais de R$ 9,2 milhões repassados diretamente aos coletores
- Quase 11,5 mil hectares recuperados com as sementes fornecidas pela Rede
"Y Ikatu Xingu":
Fundada em 2007, ano da primeira entrega de sementes nativas coletadas por povos indígenas e agricultores familiares do nordeste do Mato Grosso, a Rede de Sementes do Xingu é um dos maiores legados da campanha ‘Y Ikatu Xingu (Salve a Água Boa do Xingu, na língua indígena kamayurá), dirigida pelo Instituto Socioambiental (ISA).
A campanha conseguiu algo inédito até então na região: reunir diversas forças para recuperar as matas nativas de nascentes e beiradas de rios na região da bacia do rio Xingu, plantando vegetação nativa de forma econômica e eficiente, com o objetivo de restaurar a qualidade e a disponibilidade de água em toda a região.
No ano de seu lançamento, a estrutura da Rede de Sementes do Xingu era formada por cinco grupos de coletores e duas Casas de Sementes. A difusão dessa técnica de plantio eficiente e econômica gerou uma demanda concreta por sementes nativas para restauração. E assim, a Rede surgiu como um sistema de produção comunitária de sementes florestais.
Com a adesão de novos grupos e o crescimento da iniciativa nos primeiros anos, em 2014, a Rede de Sementes do Xingu foi formalizada juridicamente como associação sem fins lucrativos, com objetivo de gerar autonomia nos processos da cadeia de valor da restauração em que a Rede está inserida.
Desde que se tornou uma associação, a Rede pode comercializar sementes, registrar coletores em órgãos oficiais, inscrever-se em projetos de apoio às atividades e efetuar transações financeiras, sem depender de outras organizações.
Em 2026, a Rede é formada por aproximadamente 700 coletoras e coletores de sementes, organizados em 24 Grupos Coletores, sendo deles 12 indígenas, 9 de assentamentos da agricultura familiar e 3 mistos (grupos com coletores de assentamentos e de cidades). Dessa força de trabalho, cerca de 80% é formada por mulheres.
Ao longo dessa história, a Rede de Sementes do Xingu já coletou mais de 220 espécies diferentes de sementes, gerando uma renda de quase R$ 9,2 milhões para a comunidade coletora. Juntos, os grupos da Rede comercializaram mais de 415 toneladas de muvuca, capazes de recuperar cerca de 11,5 mil hectares de áreas previamente degradadas — áreas que hoje são florestas!
