No início do ano passado, 2013, acabou a desintrusão dos não índios da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, uma área com 165.241 hectares localizada no norte do Araguaia mato-grossense, com boa parte pertencente ao município de Alto da Boa Vista.
Enfim os indígenas Xavante puderam voltar para a terra que a justiça confirmou ser de sua possessão. Alguns remanescentes e centenas de descendentes fizeram o caminho inverso ao da década de 60, quando os aviões da FAB levaram embora os índios que viviam na Marãiwatsédé.
Mas o cenário que eles encontraram é bem diferente de quando saíram. Cerca de 60% da área está desmatada, como demonstra o gráfico obtido no site do Instituto Socioambiental (ISA). Os demais 40%, entre mata e cerrado, se encontram em diferentes graus de preservação.

Por conta disso, a ocupação do território em uma área amplamente degradada é bastante desafiadora. O acesso aos recursos básicos de sobrevivência, como água, caça, pesca, e recursos vegetais para o extrativismo anda bastante complicado.
Um dos mais graves problemas é a falta de água. O local onde os índios construíram a aldeia, fica próximo a um córrego, de pequeno porte, mas que está contaminado, pois nasce em uma área de lavoura próxima.
Atualmente a UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso) está pesquisando o grau de potabilidade e contaminação da água. A terra indígena possui outros córregos e rios, mas não há um sistema para realizar a captação da água.
Para amenizar isso, o Fundo Amazônia (FAM), com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Projeto Sociobiodiversidade Produtiva no Xingu gerido pelo ISA e executado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN), construiu um poço na TI.
O poço, que já está pronto, é o segundo construído na aldeia. Mas ainda não é o suficiente. Conforme o indigenista da OPAN, Marco Túlio, a caixa d’água instalada é de apenas 10 mil litros, o que não é o suficiente para atender aos mil índios que ali vivem e ainda irrigar um viveiro, o qual será construído no primeiro semestre do ano que vem, quando os indígenas irão produzir mudas a partir de sementes florestais coletadas por eles próprios.
E há ainda outro problema: “A capacidade instalada das placas solares que fornecem energia para a bomba também tem uma vazão média de apenas 12.000L/dia. Caso instalássemos na rede elétrica ou com grupo gerador, a vazão de água do poço aumentaria bastante. Porém, continua o gargalo do tamanho da caixa d’água”, explicou.
É por isso que a construção desse segundo poço, apesar de não ser o suficiente, foi tão importante, porque vai diminuindo os gargalos que impedem a reestruturação da vida dos xavantes na Marãiwatsédé.
Com água, além de matar a sede, os índios terão como produzir as mudas, mudas que vão reflorestar a terra devastada, que recuperada vai colaborar com o aumento do nível dos rios e córregos, e que vai trazer novamente água em abundância na Terra Indígena Marãiwatsédé.

Este é o segundo poço da TI, mas caixa d’água é pequena para atender à demanda. (Foto: Marco Túlio Ferreira/OPAN)

Mudas compradas recentemente são irrigadas com água que sai do poço. (Foto: Marco Túlio Ferreira/OPAN)

Crianças xavantes bebem da água que sai do poço. (Foto: Marco Túlio Ferreira/OPAN)
(Rafael Govari – ISA)
