Visita a Marãiwatsédé inicia transição na gestão do Grupo Coletor e mapeia áreas para restauração

22/07/2024 | Lia R Domingues/ARSX
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Encontro de dois dias com as coletoras Xavante teve a presença da OPAN; mapeamento das áreas marca início de ações dentro o projeto Restaura Brasil

Nos dias 18 e 19 de julho, a equipe da Rede de Sementes do Xingu (ARSX) realizou uma visita à Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé para iniciar um processo de transição na gestão do Grupo de Coletoras de sementes Xavante junto à Operação Amazônia Nativa (OPAN). Em paralelo à programação com as coletoras, técnicos da Restauração Ecológica da ARSX também mapearam possíveis áreas para restauração ecológica na TI, marcando avanços na execução da campanha Restaura Brasil, promovida pela The Nature Conservancy (TNC) e também apoiada pela OPAN dentro do território.

 

Algumas das coletoras e técnicos presentes nos dois dias de encontro, na base Karu, da TI Marãiwatsédé. FOTO: Lia R Domingues/ARSX

A primeira de muitas etapas: uma transição gradual

 

Com a presença de 77 coletoras, os dois dias de encontro deram o pontapé inicial em um processo gradual de transição na forma como a gestão do Grupo será conduzida. Desde a sua criação, em 2011, o Grupo de Coletoras Piõ Rómnha Ma´u´bumrõi´wa – nome dado por elas – tem contado com um grande apoio e acompanhamento da OPAN, historicamente presente no território e responsável pela co-elaboração do Plano de Gestão de Marãiwatsédé.

 

“Esse é um processo que está sendo construído com muito cuidado pela Rede. Vamos continuar contando com o apoio da OPAN, mas vamos estar mais presentes ao longo dessa transição, dedicados a apoiar o Grupo na elaboração do Potencial de Coleta, na Divisão de Pedido e na Divisão de Pagamento, até que elas mesmas saibam fazer isso, como já ocorre em outros Grupos Coletores da Rede”, explica Buruna Ferreira, diretora da ARSX.

 

Artema Lima, da OPAN, concorda: “A ideia é que as coletoras comecem a assumir responsabilidades para o fortalecimento e autonomia delas. Essa mudança já vem sendo discutido há algum tempo e será muito importante, tanto para a OPAN quanto para a Rede de Sementes do Xingu”.

 

A transição na gestão do Grupo de Coletoras deve ocorrer ao longo de pelo menos um ano e terá a participação ativa de ambas as instituições, somando esforços para a capacitação das coletoras em áreas como etnomatemática, divisão de pedidos, pesagem e logística de sementes.

 

Jovens como Rebeca e Caridade, e técnicas como Claudinha – responsável pelo acompanhamento dos Grupos Coletores – serão fundamentais para a transição no modo de organização do Grupo de Coletoras. FOTO: Lia R Domingues/ARSX

 

 

Desafios e oportunidades

 

Carolina Rewaptu, cacica e líder do Grupo de Coletoras, além de professora na TI, ressaltou a relevância do processo. “Precisamos da transição, mas não é fácil. Nosso grupo cresceu muito. Precisamos organizar o trabalho, mas sabemos que vamos conseguir”. Ela também destacou que o interesse das mulheres em participar do Grupo tem aumentado consideravelmente nos últimos anos – hoje, são pelo menos 120 coletoras espalhadas por todas as 21 aldeias de Marãiwatsédé.

 

Em 2023, as coletoras da TI Marãiwatsédé entregaram 1.788 kg de sementes, gerando uma receita de R$ 65.299,32. O crescimento do Grupo e o aumento da produção tornaram a gestão mais complexa, o que justifica a necessidade da transição.

 

Da esquerda para a direita: Marcelo Okimoto, da OPAN; Cacique Damião; Renato Nazário e Bruna Ferreira, da ARSX, conversam sobre possíveis áreas para restauração ecológica em Marãiwatsédé. FOTO: Lia R Domingues/ARSX

Mapeamento de áreas para restauração: o projeto Restaura Brasil

 

Além das atividades relacionadas à transição na gestão do Grupo de Coletoras, a equipe da Rede de Sementes do Xingu conversou com o cacique Damião e visitou áreas prioritárias para a restauração ecológica dentro da TI. Essas ações, por sua vez, fazem parte da campanha Restaura Brasil, promovida pela The Nature Conservancy (TNC) e executada também com o apoio da OPAN dentro de Marãiwatsédé. Assim, foram visitadas áreas de preservação permanente (APP) nas aldeias Aopa e Cristo Rei, que já têm um histórico de restauração.

 

Renato Nazário, técnico de Restauração Ecológica da ARSX e um dos responsáveis pelo mapeamento, destacou que os principais desafios para a restauração em Marãiwatsédé são o combate ao fogo, ao gado e ao capim braquiária, além da dificuldade de visitas frequentes ao território. Apesar disso, a TI já conta com áreas restauradas, o que facilita o planejamento de novas ações.

 

Visita a uma APP durante o mapeamento de áreas para restauração. FOTO: Lia R Domingues/ARSX

Próximos Passos

 

A transição no acompanhamento do Grupo de Coletoras será feita de forma gradual e colaborativa, com a Rede de Sementes do Xingu e a OPAN alinhando formações e dividindo responsabilidades ao longo do processo. A expectativa é que, além de fortalecer o grupo, a transição traga ainda mais engajamento das mulheres na gestão do território e na proteção da biodiversidade local.

 

A próxima etapa da ação está prevista para ocorrer entre outubro e novembro, quando novas entregas de sementes serão realizadas, consolidando o trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo do ano.

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