Jovens iniciam integração na Rede de Sementes do Xingu em Gincana Cultural

27/11/2015
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Juventude rural e indígena reconhece o potencial de ação na Rede de Sementes do Xingu para a busca de novas oportunidades de profissionalização em seus contextos socioculturais.

As sementes florestais tem ocupado um papel relevante nas atividades sociais e produtivas de comunidades rurais e indígenas na região das cabeceiras do Rio Xingu no Estado do Mato Grosso. Por outro lado, a região vivencia questões centrais quanto à realidade e o futuro da juventude na construção de caminhos de profissionalização integrado ao fortalecimento das dinâmicas locais. Assim, a Rede de Sementes do Xingu tem buscado promover o engajamento e a inclusão de jovens, como uma alternativa para fortalecer a participação e os papeis da juventude em diferentes contextos socioculturais.

Para isso, a Gincana Cultural realizada nos 21 e 22 em Canarana foi o marco central para a articulação de jovens de diferentes realidades socioculturais. Ao todo foram 30 participantes, de 12 a 20 anos. Alguns já possuem algum envolvimento com a Rede e outros buscaram conhecer mais sobre essa iniciativa. Os jovens representam oito grupos de coletores de oito municípios: PDS Bordolândia de Serra Nova Dourada; Nova Xavantina; PA Dom Pedro de São Felix do Araguaia; Porto Alegre do Norte; Canabrava do Norte; de Canarana participaram jovens da cidade e da Aldeia Ripá, que fica na TI Pimentel Barboza; Diamantino; Aldeia Arayo do Parque Indígena do Xingu, município de Feliz Natal.

Atualmente, a Rede de Sementes do Xingu conta com atuação de mais de 420 coletores que estão organizados em 13 núcleos que abrangem 17 municípios da região Xingu Araguaia. Em 2014 foram comercializadas mais de 17 toneladas de sementes de 124 espécies florestais. Por mais que os números sejam expressivos, a grande maioria dos coletores é formada por adultos e idosos com pouca expressão de participação e representação de jovens. Essa questão é elementar, já que a integração dos jovens na iniciativa garante o futuro não só da Rede, mas de oportunidades para o fortalecimento da agricultura familiar e das comunidades indígenas.

Conforme Danilo Ignácio, consultor do ISA, o objetivo principal da Gincana Cultural foi engajar e reconhecer o potencial de ação dos jovens na iniciativa. “Nos encontros e atividades da Rede, geralmente existe pouca representatividade do jovem… São jovens que estão em um contexto rural ou indígena e que estão em uma fase de buscar novas perspectivas e oportunidades. É inquestionável o potencial de atuação dos jovens no sentindo criativo, tecnológico e de inovação com integração ao conhecimento local e tradicional. Mas para isso a gente precisa construir processos juntamente com eles para entender o que esperam do território onde vivem e como esses sonhos se integram com a Rede. Então essa Gincana foi o primeiro passo para construir um processo de longo prazo. Principalmente, porque a gente sabe que na região os assentamentos rurais passam por um processo de êxodo rural. Os jovens não tem papel social no campo, mas os assentamentos também podem oferecer oportunidades e é isso que queremos construir e mostrar”, falou.

Danilo enxerga o jovem com um potencial de ação focada na criatividade integrada aos conhecimentos locais.

Para Raíssa Ribeiro, consultora do ISA, a gincana foi a primeira etapa de um desafio de envolvimento da juventude. “Para que de fato as ações sejam firmadas, é necessário ter participação social. Um exemplo é a Milene de Nova Xavantina, que tem um papel muito importante, fazendo a ponte desde a coleta até o armazenamento na Casa de Sementes. O jovem tem esse potencial de trabalhar com informação, gestão, informática e mídias. Assim, temos uma perspectiva de já nos próximos meses iniciar um programa de ação voltado aos jovens, focando em caminhos de profissionalização com o envolvimento de ferramentas técnicas e recreativas para tratar da governança territorial relacionada com a Rede. Esses jovens tem um grande potencial de produzir materiais, organizar dados, além de pesquisas de acordo com a realidade local”, explicou Raíssa.

Raíssa Ribeiro reflete com os jovens sobre o território e ações de fortalecimento da conservação da biodiversidade do Xingu Araguaia

A jovem Milene Alves Oliveira, que participou da Gincana Cultural, mora em Nova Xavantina e junto com sua mãe realiza atividades de coleta de sementes. Sobre a Gincana, Milene disse que percebeu que existem muitos jovens na Rede, no entanto eles não ocupam espaços para além das atividades com os seus familiares, e deixou um recado para eles: “Como a Rede é um processo novo, pode abrir ainda muitas portas para os jovens, ou coletando sementes, ou plantando essa semente, de alguma forma os jovens estão se encaixando”.

Milene Alves é uma jovem referência dentro da Rede de Sementes do Xingu

O jovem Rodrigo Santos da Silva (14) e Edmilson Peres (15) apoiam o pai de Rodrigo, que é coletor de sementes em Canarana. “Ser coletor é bom. Ser coletor é fácil. Ser coletor é rentável”, foram algumas das frases ditas por Rodrigo durante a entrevista. “Ser coletor é ajudar a reflorestar”, disse Edimilson.

Rodrigo e Edimilson desenharam a cidade de Canarana no olhar deles

Ao mesmo tempo, a gincana abriu portas para jovens que ainda não estão relacionados com a Rede de Sementes conhecerem as oportunidades da produção de sementes e restauração florestal. A jovem Dhielen Cayne Cruz tem 16 anos, mora no PA Caité (Diamantino-MT) e ainda não faz parte da Rede, mas participou do encontro porque queria aprender. “Entendi que além de você ter uma renda, você está ajudando o meio ambiente. Vou conversar sobre isso com a nossa família”, falou.

Dhielen quer que agora sua família atue na coleta de sementes

Luiz Eduardo Barcelos da Silva tem 17 anos e mora em Canabrava do Norte, onde, entre outras atividades, ajuda a sua mãe na coleta de sementes. Para chegar a Canarana ele viajou quase 24 horas, mas tudo valeu a pena. “Aprendi muito com as dinâmicas”, disse. O que representa para você ser um coletor de sementes? “Só de saber que está ajudando o meio ambiente é muita coisa”, complementou.

Luiz Eduardo viajou um dia para participar da Gincana e disse que valeu a pena

Quando os jovens se juntam, sempre tem o mais tímido, mas tem também o brincalhão. Matheus Lamunier, 17 anos, pode ser considerado como o brincalhão da turma. Ele tem 17 anos e mora no PA Dom Pedro, município de São Felix do Araguaia, onde trabalha com seus pais na coleta de sementes florestais. Na primeira pergunta da entrevista, sua resposta já fez soltar risos. Porque você se tornou um coletor de sementes Matheus? “Porque filho sempre é o badeco, eles mandam e eu obedeço né”. Matheus que ir embora do assentamento para estudar, mas disse que no futuro pretende ser um coletor, a prova que o trabalho de seus pais não está sendo em vão. Matheus disse que além da renda, ser um coletor de sementes para ele representa ajudar o meio ambiente.

Matheus se destacou como brincalhão do grupo de jovens ao longo da Gincana Cultural

O amarelo venceu

A 1ª Gincana Cultural da Rede de Sementes do Xingu contou com várias atividades, entre elas danças, brincadeiras, apresentações culturais, explanações sobre como funciona a Rede, informações sobre o território onde se encontram os coletores, além de uma gincana, com jogos e perguntas sobre a RSX, que contou com três grupos, onde a equipe amarela se saiu vencedora, equipe rosa em segundo e equipe azul em terceiro.

Participantes das equipes tinham que se esforçar e responder certo para ganhar os pontos e vencer a gincana

Jovens de oito municípios da região Xingu Araguaia participaram da Gincana Cultural

Equipe

Para promover o evento foi necessário contar com a equipe técnica das organizações atuantes na Articulação Xingu Araguaia (AXA) com apoio do Instituto Bacuri. Assim, o evento contou com a participação de Danilo Ignacio, Sarah Domingues, Bruna Ferreira, Fabiana Dizarro e Raissa Ribeiro, todos do ISA; e Jaqueline da CPT (Comissão Pastoral da Terra); as fotos são de Rafael Govari do ISA.

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Equipe organizadora da Gincana Cultura de Jovens da Rede de Sementes do Xingu

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(Por ISA; Fotos – Rafael Govari – ISA)

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