Entre os dias 23 e 26 de março, Nova Xavantina foi palco do I Seminário da Rede de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher, realizado no campus da UNEMAT pelas professoras Msc. Cléa Leita e Dra. Ana Maia. O evento, marcado por mesas redondas, plantio de mudas, muvuca de sementes e passeios de bicicleta pela cidade, representou um marco significativo na luta contra a violência de gênero na região.

Realizado na UNEMAT/NX, o I Seminário da Rede de Enfrentamento à Violência Contra Mulher é um marco na história do município. FOTO: Lia R Domingues/ARSX
A Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher
A Rede de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher é uma política pública já existente em diversos municípios e que, finalmente, chega a Nova Xavantina junto ao seminário de mesmo nome, marcado por uma série de ações voltadas para a conscientização e combate à violência contra a mulher.
Comprometida com essa causa, a Rede de Sementes do Xingu participou ativamente de dois momentos importantes da programação: primeiro, estivemos presentes em uma mesa redonda com lideranças rurais e indígenas no sábado, 24, que contou com a participação das lideranças Watatakalu Yawalapti (TI Xingu), Divina Sales (PA Banco da Terra), Selma Souza (PA Serra Verde) e Milene Alves (Redário), além do Secretário de Agricultura do município, João Ailton. O encontro proporcionou uma troca rica de experiências e perspectivas sobre o enfrentamento da violência contra a mulher nas comunidades rurais e indígenas da região.

Da esquerda para a direita: Cléa Leite, Watatakalu Yawalapti, João Ailton, Milene Alves, Divina, Selma e Ana Maia. FOTO: Lia R Domingues/ARSX
Depois, estivemos também no Ato Pela Vida das Mulheres. Realizado no domingo, 24, o Ato incluiu o plantio de mudas, a preparação de uma muvuca de sementes e um passeio ciclístico por Nova Xavantina. As mudas foram plantadas na Praça da Igrejinha e estão sinalizadas por uma placa artística feita por Cida Maia, uma artista local. Esse ato simbólico reforçou a importância da união e mobilização comunitária na luta contra a violência de gênero.

O preparo de uma muvuca de sementes faz parte do Ato Pela Vida das Mulheres, realizada no domingo. FOTO: Lia R Domingues/ARSX
Por que momentos como esse são importantes?
Na Rede de Sementes do Xingu, as mulheres representam 76% de sua força de trabalho – muitas das quais compartilham dos desafios e das opressões verbalizadas ao longo do seminário. Por isso, é de fundamental interesse da Rede estar presente em espaços que socializam e fortalecem pautas condizentes com a realidade com a qual lidamos. Neste cenário, a coleta de sementes é uma atividade que se destaca por promover o bem-estar feminino, que vez que fomenta a união, o protagonismo e a geração de renda entre elas.
Ao longo do evento, a Profa. Msc. Cléa Leite destacou a complexidade das violências enfrentadas por muitas mulheres, que podem ser de ordem psicológica, moral, sexual e física. Ela enfatizou que a codependência psicoemocional das mulheres está frequentemente ligada a fatores como raça, etnia, classe, território e religião, entre outros marcadores socioculturais. “Contribuir para a ruptura do ciclo de violência que muitas mulheres vivem é uma responsabilidade de toda a sociedade, para que não culminem em feminicídio”, afirmou Cléa.
O I Seminário da Rede de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher em Nova Xavantina representou um passo importante na luta contra a violência de gênero, reunindo diversas vozes e ações em prol de um objetivo comum. A Rede de Sementes do Xingu se orgulha de apoiar e participar ativamente deste movimento, reafirmando seu compromisso com a promoção do bem-estar e empoderamento das mulheres em todas as esferas da sociedade.

“A terra é a primeira mulher do mundo”, afirma Watatakalu Yawalapti, sabiamente sintetizando a mensagem da mesa redonda na qual participou. FOTO: Lia R Domingues/ARSX
