Coletores do Parque do Xingu discutem produção de sementes florestais

13/10/2014
Grupo Yarang
Ikpeng
Kawaiwete
Território Indígena do Xingu
Waurá
Yudja
O encontro aconteceu no Polo Pavuru, no Médio Xingu, nos dias 13 e 14 de setembro passado e contou com a participação de coletores e coordenadores de todos os grupos de coleta. As mais de 30 coletoras Ikpeng do Movimento das Mulheres Yarang recepcionaram outros 40 coletores de sete aldeias dos povos Waurá, Kawaiwete e Yudjá.

Como foi em cada aldeia no último ano? – Os grupos de coleta do PIX reúnem-se anualmente para trocar as experiências acumuladas entre si e propor soluções que visem aperfeiçoar a atividade nos grupos. O objetivo do compartilhamento é diagnosticar tanto as experiências de sucesso, quanto os entraves, sejam particulares ou em comum com outros grupos. Desta vez, os coletores avaliaram a os fatores que colaboraram para avançar na organização dos grupos e nas técnicas de manejo, mas também os fatores que comprometeram a queda na produção da última safra. Dentre eles, destacaram a redução nos pedidos distribuídos aos grupos como um fator que comprometeu a participação de muitos coletores.

Da Rede de Sementes do Xingu para o Parque Indígena do Xingu – A participação de coletores xinguanos em eventos promovidos pela Rede de Sementes do Xingu teve um momento específico durante a reunião. Os representantes que participaram da I Expedição e Intercâmbio da Rede de Sementes do Xingu (saiba mais aqui), do XI Encontro Geral da Rede (saiba mais aqui), e do Intercâmbio da Rede com a ESALQ e a UFSCar (saiba mais aqui), puderam compartilhar os aprendizados com os demais coletores e socializar as diferentes realidades com o grupo.

O professor e coletor Korotowi Taffarel, que participou do intercâmbio na Esalq, contou que entendeu o queria dizer qualidade das sementes durante um desses eventos.”[No intercâmbio com a ESALQ e UFSCar] eu entendi o que quer dizer a qualidade da semente que nós coletores produzimos”, afirmou o professor e coletor indígena Korotowi Taffarel. “Eu vi que a Rede vai poder realizar as próprias análises de qualidade no laboratório que foi inaugurado neste ano [o laboratório da Unemat], e não vai precisar mandar sementes para longe da nossa região para isto.”

Diálogos sobre o futuro da RSX – Além de um espaço de troca de experiências, a reunião dos coletores do PIX faz parte de um processo de formação continuada dos coletores para a compreensão do funcionamento da Rede. Por exemplo, a formação do preço das sementes e o estudo de mercado que a Associação da Rede está desenvolvendo foram discutidos na reunião.

Planejamento da produção – A produção das sementes propriamente dita foi abordada durante o segundo dia de reunião. Os coletores receberam a nova publicação da Rede (disponível para download aqui) e já começaram a manuseá-la para observar como este material irá contribuir para o planejamento da iniciativa e o manejo das sementes. Discutiu-se a importância de ter as matrizes de sementes localizadas, de investir no calendário de produção dos grupos, que foi compartilhado e avaliado pelo grupo, além do acompanhamento do tempo que cada etapa consome. O grupo reiterou a necessidade de encaminhar uma proposta articulada de escoamento das sementes do PIX, que será testada a partir do final desta safra em novembro.

A Rede de Sementes do Xingu conta com coletores do Parque Indígena do Xingu desde 2008 e atualmente 11 aldeias dos povos Ikpeng, Waurá, Kawaiwete e Yudja produzem e comercializam sementes florestais para a restauração florestal.

Conheça os povos do PIX que participam da Rede de Sementes do Xingu:

Ikpeng: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ikpeng

Waurá:  http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wauja

Kawaiwete: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaiabi

Yudja: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yudja

 

Veja no mapa onde estão as aldeias que participam da Rede:



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