Uma feliz família coletora de sementes

05/11/2014
Canarana
Coletores urbanos
Y Ikatu Xingu
Coletores de sementes na região Araguaia/Xingu estão conseguindo realizar sonhos e dar uma melhor qualidade de para suas famílias. A renda é maior do que boa parte das atividades ofertadas na região. Mas mais do que uma fonte de renda, ser coletor é um estilo de vida. Silvio Santos da Silva foi um dos primeiros coletores de sementes da Rede de Sementes do Xingu. Desde então sua vida mudou, para melhor.

Há 09 anos surgiam os primeiros coletores e a Rede de Sementes do Xingu começava a ganhar forma. Era o princípio de uma atividade que hoje abriga centenas de famílias que vivem na região Araguaia/Xingu.

Silvio Santos Silva, 43 anos, trabalhava no serviço pesado, arrancando raiz, roçando, fazendo cerca. Nem sempre era o suficiente. Ele é casado com Ermínia e tem quatro filhos: Hebert de 15 anos, Rodrigo de 13, Gustavo de 8 e Silvia de 3 anos.

Hoje o patriarca recebe a ajuda da esposa e dos dois filhos mais velhos. Viaja até 180 km para coletar sementes. Faz isso em um veículo, modelo antigo, mas próprio, que ele conseguiu comprar depois que se tornou coletor de sementes.

As sementes são trazidas até sua residência, localizada no bairro 7 de Setembro, em Canarana. No local elas são separadas e limpas para depois serem entregues no Viveiro Municipal de Canarana.

Silvio tira as sementes de baru enquanto os filhos quebram a casca

“Se eu pudesse mexia só com coleta de sementes”, disse Silvio, enquanto separava sementes de baru. A safra de sementes vai de julho a dezembro de cada ano. Nos seis meses seguintes, Santos continua fazendo empreitadas na roça.

A temporada dura só seis meses por ano, mas o suficiente para mudar a vida da família Santos. “Hoje tenho uma qualidade de vida melhor”, acrescentando que é possível sustentar e dar uma boa qualidade de vida a uma família coletando sementes.

A renda bruta mensal chega a sete mil reais.

Poucas pessoas conseguem um salário de sete mil reais em Canarana. Além de carro, Silvio comprou uma moto e realizou outros sonhos. Possui ainda uma chácara de 37 hectares em Bom Jesus do Araguaia.

Mas coletar sementes não é só ganhar dinheiro, é um estilo de vida. “Me sinto no dever de cuidar da natureza, de onde eu tiro o meu sustento. Na minha chácara não deixo ninguém cortar nenhuma árvore”, disse Santos.

Para obter mais eficiência, Silvio comprou uma máquina manual para quebrar a casca do baru, o que facilita a retirada das sementes. Em um bag cheio de sementes de baru com casca, beneficiado rende até 25 kg, vendidos a 50 reais o kg, podendo render até R$ 1.250,00.

Os filhos ajudam no trabalho. Enquanto Hebert e Rodrigo quebravam a casca, Silvio retirava as sementes. É um serviço muito mais leve do que fazer cerca, roçar e ajuntar raiz em propriedades de fazendeiros.

Para obter mais eficiência, Silvio comprou uma máquina manual para quebrar a casca do baru

Tudo isso foi possível graças ao trabalho que vem sendo realizado na região desde 2004, a partir do Programa Y Ikatu Xingu. Silvio fez questão de fazer uma colocação: “O ISA foi um pai pra gente”. Por que? “Mudou a nossa vida”, respondeu.

(Rafael Govari- ISA)

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