Convidado pelo jornalista Valter Puga, do Canal do Boi, a falar sobre o ‘Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Sementes Florestais’ e o lançamento do livro ‘Sementes Florestais Tropicais’, o biólogo e consultor técnico do ISA (Instituto Socioambiental), Eduardo Malta Campos Filho, também relatou o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Rede de Sementes do Xingu e explicou a técnica de restauração florestal realizada na região Xingu Araguaia há uma década, a qual utiliza o maquinário agrícola para plantar sementes de árvores nativas. Contudo, essa técnica ainda é pouco conhecida nos grandes centros do País. A entrevista foi concedida no prédio da Bolsa de Valores (BM&F Bovespa) de São Paulo.
Conforme o consultor, a técnica do plantio mecanizado de florestas, usada há pelo menos 10 anos através da Campanha Y Ikatu Xingu, é mais prática, mais barata e mais eficiente do que o plantio com mudas em diversas situações. “A gente pega uma plantadeira de soja, uma plantadeira de capim ou uma espalhadora de calcário, coloca sementes florestais lá dentro, uma diversidade de espécies, na quantidade calculada de cada espécie e planta na área inteira”, falou. A mistura de sementes usadas no plantio mecanizado é conhecida como muvuca.
Essa técnica tem auxiliado proprietários que querem recuperar áreas degradadas. O jornalista perguntou se as iniciativas de plantio de árvores nativas têm por motivo a exigência da legislação ou uma maior conscientização dos proprietários. Eduardo respondeu que a fiscalização da legislação ainda é falha e atualmente muitos daqueles que reflorestam, o fazem por vontade própria. “Eles estão fazendo porque sabem que é importante e não estão esperando o fiscal vir para fazer”, disse.
Além da legislação e da conscientização de que é preciso preservar o meio ambiente, Eduardo colocou que plantar florestas gera lucros econômicos, através de produção de madeira, de frutos e de sementes. Hoje produtores estão fazendo a integração lavoura-pecuária-floresta em suas fazendas, utilizando a mesma área para produzir grãos, produzir carne e madeira. “Além de criar gado, também produzir madeira na mesma área, seja para repor suas próprias cercas, seja para vender na região”, comentou o consultor.
Se as iniciativas de reflorestamento com nativas estão crescendo, também cresce a necessidade de sementes florestais regionais e com qualidade. Eduardo explicou para o jornalista que hoje os proprietários de terras encontram sementes florestais em todos os biomas brasileiros. “Há 10 anos foram feitas as redes de sementes no Brasil, um projeto apoiado pelo Governo Federal e o Ministério do Meio Ambiente e foram criadas oito grandes redes… e desse trabalho você ainda tem os laboratórios em todo o Brasil e tem coletores de sementes formados em todo o Brasil”. Em Canarana-MT está a sede administrativa da Rede de Sementes do Xingu, que abrange mais de 420 coletores espalhados pela região Xingu Araguaia.
Apesar dos avanços, Malta falou que ainda é preciso mais estudos em relação às espécies florestais. “Ainda há muito que melhorar, porque a gente tem centenas de espécies nativas e cada uma você tem que saber o jeito certo de trabalhar com ela, a temperatura que você armazena e o jeito que você seca”, colocou.
Simpósio e lançamento de livro
O ‘Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Sementes Florestais’ foi realizado durante o ‘Congresso Brasileiro de Sementes’, organizado pela Abrates no mês de setembro deste ano, em Foz do Iguaçu-PR. O simpósio reuniu todos os atores da cadeia de sementes florestais, desde produtores de sementes a laboratórios de pesquisa, sendo debatidos os gargalos do setor. Ainda no simpósio aconteceu o lançamento do livro ‘Sementes Florestais Tropicais’, que reúne textos de dezenas de pesquisadores especialistas na área e já é uma referência nacional.
(Por Rafael Govari – ISA)
