Coletores do assentamento Bordolândia fazem mutirão para plantar área de reflorestamento

02/12/2021
Coletores rurais
Muvuca
PDS Bordolândia
Restauração Ecológica

Obedecendo aos protocolos sanitários contra covid-19, Rede de Sementes do Xingu realiza mutirão de plantio em terreno de agricultores familiares no assentamento Bordolândia, Mato Grosso; área deverá mostrar como a muvuca pode transformar a paisagem, o clima e melhorar a situação econômica de quem coleta sementes e pratica restauração

Ludmilla Balduino (texto e fotos)

Da Rede de Sementes do Xingu

O último fim de semana de novembro de 2021 foi de mutirão de reflorestamento no assentamento Bordolândia, em Serra Nova Dourada (MT). Cerca de 20 pessoas, de sete famílias de coletores da Rede de Sementes do Xingu e moradores do Bordolândia, estiveram presentes no plantio de uma área de meio hectare, logo na entrada do lote da família de agricultores Righi.

Eliane Righi, matriarca da família e elo do grupo de coletores no assentamento, ficou feliz pela presença dos vizinhos no mutirão. “Os coletores que estavam aqui no dia do plantio estavam muito animados, todo mundo pôs a mão na massa, foi uma alegria, um sinal de que faz bem. Depois desse tempo todo de pandemia, reunir para fazer uma atividade dessa foi maravilhoso”, relata.

Tomando todos os cuidados para evitar contaminação por covid-19, o mutirão começou no sábado (27) à noite, com um bate-papo sobre a coleta de sementes na Rede de Sementes do Xingu e uma sessão de cinema. Um dos filmes exibidos, “A Roça do Futuro”, foi filmado no assentamento. Os coletores também assistiram ao trailer do filme “Fazedores de Florestas”, cujo lançamento está marcado para o dia 7 de dezembro. Em seguida, foi servido um caldinho de frango.

Na noite da véspera do plantio, coletores conversaram sobre o trabalho que realizam e assistiram a curtas-metragens

No domingo, depois do café-da-manhã, o grupo de coletores-restauradores partiu para o plantio. João Carlos Pereira, técnico em restauração ecológica da Rede de Sementes do Xingu, explicou mais detalhes sobre a muvuca e sobre as particularidades daquele plantio.

Além de sementes nativas para restaurar a vegetação típica daquela região de Cerrado do norte de Mato Grosso, na muvuca também haviam sementes agrícolas e de adubação verde. Primeiramente, as sementes foram dispostas em uma lona e analisadas pelo grupo. Em seguida, os coletores misturaram as sementes. Com a muvuca pronta, cada um encheu um saco com uma porção de muvuca, e todos partiram para a área já gradeada por trator para o nivelamento e a retirada de capim. A semeadura direta foi realizada manualmente, com os coletores dispostos em uma linha, cobrindo assim toda a área de 0,5 hectare.

Em seguida, o trator passou a grade niveladora novamente, para as sementes. Então, foram plantados pés de mandioca junto com sementes de pequi do xingu, em um espaçamento a cada oito metros.

Por fim, os coletores fizeram a última semeadura manual, dessa vez usando as sementes mais sensíveis, que não podem ser cobertas por terra para germinar, como as sementes de ipês e carobinha.

Eliane espera que, com esse plantio, as árvores que são utilizadas como matrizes para a coleta de sementes estejam mais próximas de sua casa, economizando tempo e esforços com o transporte das sementes. “Além disso, a expectativa é incentivar mais pessoas a reflorestar, e provar que floresta em pé também dá renda”, diz a agricultora familiar e mãe de Luis Fernando, de 6 anos, e Djenifer, de 14 anos.



No fim do mutirão, foi servido um almoço, seguido de um bate-papo final entre os coletores de sementes. A mais nova coletora do grupo, Clenize Santos da Luz, conta que para ela “foi muito gostosa a novidade de plantar com a muvuca, é uma energia positiva.”

Os coletores celebraram o fato de terem seus quintais frescos, repletos de árvores e sombra. “Tem gente que acha que a gente é doido”, disse Sônia Marli Wesolowski. Só que a renda garantida pela floresta em pé não é loucura, não! Rone César Borges, que trabalha na coleta com a esposa Adriana Santos, conta que apenas no primeiro ano de coleta, receberam mais de R$ 4 mil pelo trabalho, o que foi suficiente para realizar o casamento da filha do casal.

O plantio foi realizado através do projeto “Muvuca de sementes é Muvuca de gente“, firmado entre a Rede de Sementes do Xingu e o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), dentro do Programa PPP-Ecos.

As refeições (caldinho, café-da-manhã e almoço) foram custeadas pelo projeto e preparadas pela coletora de sementes Jusceny Monteiro Santana, cuja família também participou do mutirão de plantio.

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