I Intercâmbio de Coletores e Restauradores lança cartilha e celebra restauração

03/07/2023 | Lia Rezende Domingues - Da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX)
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Evento é um marco na restauração dos territórios de coleta de sementes

O I Intercâmbio de Coletores e Restauradores da Rede de Sementes do Xingu (ARSX) reuniu agentes de diferentes territórios para compartilharem suas experiências com os projetos de restauração florestal implantados em suas áreas. Realizado no Hotel Fazenda Encantos do Roncador no domingo, 18 de junho, o encontro contou com a presença de 32 pessoas, incluindo indígenas, agricultores familiares, técnicos da RSX, organizações parceiras e representantes políticos.

Foto: Nativa Filmes

Em roda, os participantes se viram em um ambiente fértil e acolhedor para a discussão de temas estratégicos ligados à restauração florestal com muvuca de sementes e suas aplicações práticas nos territórios. Pautas como ações preventivas contra o fogo, agenda política, métodos de plantio e manejo, adaptação de espécies e preconceitos enfrentados na escolha pela restauração florestal permearam as partilhas do grupo, revelando pontos em comum na vivência de cada um dos presentes. 

Fotos: Nativa Filmes

Os participantes também tiveram espaço para compartilhar iniciativas que têm surgido em suas regiões, como o projeto de recuperação de nascentes em Canabrava do Norte, exposto pela coletora Lindalva Caçula. Além disso, foi unânime a constatação da necessidade de ações práticas no âmbito das políticas públicas, como a criação de um documento que reúna informações sobre a restauração florestal e os territórios, abrindo caminhos para recursos e expansão das atividades. 

A área de restauração de Vilmar Tusset foi feita em uma parte pedregosa da propriedade. Foto: Nativa Filmes

O evento contou, ainda, com a visita presencial à propriedade de Vilmar Tusset, coletor da ARSX há 12 anos, que iniciou a restauração de 3.000m2 de seu terreno. Por fim, o lançamento da cartilha “Semeando a Restauração”, que reúne sete experiências implantadas nos territórios de coleta da ARSX, confirmou o amplo espectro de possibilidades da restauração florestal – cujas técnicas e objetivos variam muito conforme a área e o contexto de implantação.

Foto: Nativa Filmes

A restauração florestal nos territórios de coleta 

A restauração de pequenas áreas nos territórios da ARSX tem sido feita desde 2019 no intuito de facilitar a coleta de sementes, recuperar nascentes e diversificar a produção agrícola. “Podemos fazer plantios em diálogo com os territórios, sem grandes maquinários, por vezes manuais, em volta das casas e incluindo gêneros alimentícios”, diz João Carlos Pereira, coordenador da restauração florestal da ARSX. 

Segundo João Carlos, há 21 áreas de restauração em território coletor, espalhadas em três assentamentos: Manah, Bordon e Caeté, além das terras indígenas de Marãiwatsédé e Pimentel Barbosa. Há, ainda, iniciativas de restauração nesses territórios feitas por instituições parceiras, como o ISA. 

Um dos objetivos principais deste trabalho é ter árvores-matrizes perto dos coletores. “As pessoas estavam perdendo área de coleta. Muitos coletores buscam sementes em estradas, ruas e outras propriedades. Era a hora de ter árvores a partir de nossas próprias sementes. As matrizes trazem bem-estar, sensibilização, sombra e saúde para os territórios”, conclui João. 

Visita à área de restauração florestal na propriedade de Vilmar Tusset. (Fotos: Nativa Filmes)

O futuro da restauração nos territórios de coleta

A restauração florestal nos territórios de coleta é fruto de muita experimentação. Por isso, espaços de troca como este I Intercâmbio mostram-se especialmente estratégicos, uma vez que permitem a comparação de diferentes plantios, métodos e resultados para verificar quais arranjos têm melhor desempenho e quais adaptações podem ser feitas. 

“Estamos em um momento de olhar para a restauração dentro da ARSX. Queremos ver a árvore em pé como oportunidade de geração de renda e saúde, criando uma cultura de restauração em um contexto de desafios como a crise hídrica e climática”, pondera Renato Nazário, técnico em restauração florestal da ARSX. 



O evento contou com facilitação gráfica feita por Wagner Soares e lançamento da cartilha “Semeando a Restauração”, que sistematiza experiências de restauração em territórios coletores (Fotos: Nativa Filmes)

Além de fundamental para a elaboração de planos de ação no futuro, a reunião de coletores e restauradores, assim como de outras instituições e poder público, fortalece as bases da ARSX e incentiva a continuidade dos trabalhos. “Saio com muita informação para levar ao meu grupo. Saber dos outros lugares me sugeriu várias ideias. Querendo ou não, estamos relacionados”, avalia Lindalva Caçula, coletora do PA Manah, de Canabrava do Norte. 

“É bom saber que não estamos só e que temos dificuldades parecidas. Precisamos de políticas mais eficazes, que não mudem a cada gestão e que estabeleçam uma certa obrigatoriedade de continuação para que nossos programas realmente tenham êxito”, comenta Giselle Luz, secretária do Meio Ambiente e Agricultura de Canabrava do Norte, que apreciou a ideia da companheira Lindalva em revitalizar as nascentes da sua região. 

QUERO FAZER O DOWNLOAD DA CARTILHA “SEMEANDO A RESTAURAÇÃO”

Participantes do intercâmbio visitam área de recuperação na propriedade de Vilmar Tusset. (Foto: Nativa Filmes)

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