Quem está por trás
da coleta de sementes
na Rede de Sementes do Xingu?
Entenda quem são, onde estão e como
se organizam as pessoas coletoras de sementes
da Rede de Sementes do Xingu
24 Grupos Coletores
Na Rede de Sementes do Xingu, a coleta de sementes é feita por 24 Grupos Coletores que se formam a partir de afinidades, localização no território, forma de organização, perfil e motivação de cada pessoa coletora.
Hoje, somos mais de 700 coletoras e coletores de sementes vindos de comunidades indígenas, da agricultura familiar e de núcleos urbanos.
Cada um dos 24 Grupos Coletores que englobamos possui uma história, uma governança e uma forma de coletar sementes muito particular.
A diversidade entre os Grupos Coletores mostra que a muvuca de sementes é capaz de reunir muita gente diferente!
Mapa mostra os territórios em que a Rede atua. No entanto, vale lembrar que somos uma iniciativa muito viva e que frequentemente estes pontos se atualizam.
FONTE: “Semeando a Restauração”, da ARSX
18 municípios de
Mato Grosso
Entre os 24 Grupos Coletores que nos formam, temos: 12 grupos indígenas (67,85%), 10 grupos da agricultura familiar (25,66%) e dois grupos mistos (6,49%), que reúnem tanto agricultores familiares quanto extrativistas urbanos.
Estes grupos estão distribuídos por 18 municípios de Mato Grosso, sendo eles: Nova Xavantina, Água Boa, Canarana, Querência, Marcelândia, Gaúcha do Norte, Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada, Canabrava do Norte, Porto Alegre do Norte, Confresa, São Félix do Araguaia, Santa Cruz do Xingu, São José do Xingu, Feliz Natal, Diamantino, Poxoréu e Alto Boa Vista.
Esses municípios incluem 15 assentamentos rurais e mais de 30 aldeias localizadas em três Terras Indígenas: TI Xingu, TI Marãiwatsédé e TI Pimentel Barbosa.
Nosso trabalho acontece nas bacias dos rios Araguaia, Xingu e Teles Pires. Juntas, essas três bacias somam 319 mil quilômetros quadrados – uma área maior que o estado brasileiro do Rio Grande do Sul.
Vera, extrativista urbana do Grupo Coletor de Nova Xavantina, é uma das mulheres que mais coletam sementes por ano na Rede de Sementes do Xingu.
FOTO: Bianca Moreno/ISA e ARSX
+76% da força de trabalho
são mulheres
Elas são maioria na Rede!
A presença tão marcante de mulheres em nosso trabalho revela que a muvuca de sementes fomenta não só a autonomia financeira feminina graças à renda gerada pela coleta de sementes, como também evidencia o protagonismo da mulher dentro da cadeia da restauração ecológica no Brasil.
Além de maioria entre as coletoras, as mulheres também são destaque na liderança dos Grupos Coletores: 16 dos 25 Grupos são organizados por elas.
Aqui, vale mencionar também que os benefícios da semente ultrapassam a geração de renda: a semente traz propósito de vida, cria vínculos de amizade entre as coletoras e dinamiza o cotidiano delas, refletindo em saúde mental e novos horizontes de vida.
O Grupo de Coleta Xavante da Aldeia Ripá, na TI Pimentel Barbosa, é todo formado por mulheres.
FOTO: Bianca Moreno/ISA e ARSX
A coleta de sementes entre
as comunidades indígenas
Os grupos coletores indígenas incluem seis etnias: Waura, Matipu, Ikpeng, Kawaiwete e Yudja – do Território Indígena do Xingu – e a etnia Xavante dos Territórios Indígenas de Pimentel Barbosa e Marãiwatsédé.
Na coleta de sementes, as comunidades indígenas se destacam por seu senso coletivo, que é tão forte quanto inspirador. Em muitas aldeias, o momento de coleta é também um momento para estar junto, cantar e passear pelo território, observando-o e protegendo-o.
Por vezes, não há um interesse tão grande em coletar grandes quantidades de sementes e o beneficiamento costuma ser feito a mão, o que deixa as sementes muito limpas e caprichosas. Além disso, a coleta de sementes é uma atividade predominantemente feminina entre os indígenas.
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Nina, Luciele e Délia são coletoras da agricultura familiar do Grupo Manah, em Canabrava do Norte/MT.
FOTO: Lia R Domingues/ARSX
A coleta de sementes na agricultura
familiar e entre os extrativistas urbanos
As pessoas coletoras da agricultura familiar e dos núcleos urbanos, por sua vez, destacam-se pela criatividade e pela produtividade na coleta: frequentemente, estes grupos são capazes de coletar um grande volume de sementes e de elaborar soluções muito criativas para o beneficiamento das sementes, como o quebrador de baru e as diversas táticas para se abrir o jatobá, por exemplo.
Na Rede de Sementes do Xingu, a maior parte dos coletores da agricultura familiar vive em Projetos de Assentamento (PA).
Ao todo, trabalhados em 15 PAs, sendo eles: PA Banco da Terra, PA Voadeira, PA Dom Pedro, PA Manah, PA Canabrava, PDS Bordolândia, PA Fartura, PA Independente I e II, PA Caeté, PA Macife, PA Jaraguá, PA Bojuí, Comunidade Taboca e PA Paraíso do Leste.
Elos e Elas
a ponte entre o coletor,
o grupo e o corpo técnico
Dentro do sistema de governança da Rede de Sementes do Xingu, o “Elo” é a pessoa responsável pela coesão dos Grupos Coletores e por conectar a coleta de sementes à Central Administrativa
Cleusa Nunes de Paula é uma das “Elas” mais antigas da Rede: depois de ser liderança no Grupo Macife, Cleusa hoje lidera o Grupo de Coletores da Aldeia Novo Paraíso, que reúne 20 mulheres Xavante. Na foto, Cleusa está com sua mãe, Dona Alcina, mestra raizeira de 95 anos.
FOTO: Bianca Moreno/RSX
Na Rede de Sementes do Xingu, temos uma figura fundamental: o "Elo" ou "Ela" de cada Grupo Coletor.
“Elo” ou “Ela” é a pessoa responsável por representar um Grupo Coletor e por zelar pelo seu funcionamento.
Algumas de suas funções são: realizar reuniões de avaliação e planejamento, registrar e divulgar as experiências do Grupo, gerir o estoque, pesar as sementes entregues por cada pessoa coletora, controlar a qualidade das sementes e garantir a entrega da encomenda final.
Para isso, Elos e Elas frequentemente participam de intercâmbios, cursos, formações e encontros realizados pela Rede e instituições parceiras. Depois, caberá a essa pessoa repassar notícias, acontecimentos e decisões desses espaços para o seu Grupo Coletor, contribuindo na pulverização de informações e conhecimentos na Rede.
Além do mais, cada Elo e Ela recebe um valor equivalente a 5% de toda a venda de sementes que a Rede faz no ano, contribuindo nos custos de tempo e energia dedicados a cumprir suas responsabilidades.
Algo bonito de se observar é o crescimento vivido por muitas pessoas que experimentam essa posição de liderança. A troca de saberes constante e o contato com a diversidade incentivam o desabrochar dessas figuras tão importantes para a nossa governança! Assim, dizemos que o processo de formação dos coletores, elos e grupos é permanente e participativo.
Como acontece a entrada de novas
pessoas e Grupos Coletores de Sementes?
Hoje, para se tornar um coletor da Rede de Sementes
do Xingu, há duas possibilidades:
entrar em um Grupo Coletor que já existe
propor a criação de um novo Grupo
Para se tornar coletor
em um Grupo que já existe
Neste caso, um Grupo Coletor já existente convida a nova pessoa coletora para um encontro no intuito de explicar como a Rede de Sementes do Xingu funciona.
A partir daí, inicia-se o primeiro ano de atividade de coleta da pessoa interessada, ainda em caráter experimental. Durante este período, a nova coletora será acompanhada por outros coletores tanto ao longo da coleta quanto ao longo do beneficiamento de sementes.
É, ainda, comum que essa pessoa receba uma lista de pedidos menor que o restante do Grupo até que, no ano seguinte, ela seja cadastrada como coletora da Rede.
Para propor um novo
Grupo Coletor
Para fazer parte da Rede de Sementes do Xingu, um Grupo Coletor precisa ter garantida uma área de coleta de sementes onde se encontrem as sementes que usamos em nossas muvucas. Além disso, a região de coleta precisa abranger nossa área de atuação, isto é, as bacias dos rios Xingu, Araguaia e Teles Pires, em Mato Grosso, Brasil.
O primeiro passo, então, é passar pela avaliação da Diretoria e do Comitê Diretivo, além dos Conselhos Curador e Fiscal. Isso porque a admissão de um novo Grupo Coletor pede uma reorganização da equipe técnica da Rede de Sementes do Xingu, que deverá se dedicar a acolher, orientar e acompanhar os novos coletores.
Dessa forma, com base na capacidade técnica da Rede ou de alguma organização parceira para o acompanhamento do novo Grupo, assim como na demanda de sementes do mercado, avaliamos se é ou não possível a sua entrada.
